Rajata Hakim: jovem talento indonésio transforma memórias e identidade em arte no coração de Jakarta
JAKARTA — Há jovens artistas que apresentam obras e há aqueles que conseguem transformar uma galeria num espaço de encontro, reflexão e emoção. Rajata Hakim pertence a uma nova geração de criadores indonésios cuja linguagem artística começa a afirmar-se pela capacidade de transformar memórias, rostos e experiências humanas em narrativas visuais.
A exposição individual “TERLIHAT / TERASA”, apresentada na ARTsphere Gallery Jakarta, no Darmawangsa Square, abriu ao público no dia 29 de agosto de 2026, reunindo visitantes, apreciadores de arte e convidados num ambiente marcado sobretudo pela força expressiva dos retratos do jovem artista.
Com curadoria de Melissa Sunjaya, a exposição parte de uma questão profundamente humana: de que maneira observamos os outros para compreendermos melhor quem somos?
A resposta de Rajata surge através do retrato e da arte vestível, estabelecendo uma relação entre memória e identidade, entre aquilo que individualmente recordamos e as experiências que, quando reunidas, constroem uma memória coletiva.
Uma galeria preenchida por rostos e histórias
As paredes ocupadas por retratos revelam mais do que uma demonstração de capacidade técnica. Os diferentes rostos tornam-se fragmentos de histórias e emoções.
É precisamente aí que se encontra uma das forças do trabalho de Rajata Hakim: desenhar e pintar o ser humano procurando ultrapassar a sua aparência exterior.
Os visitantes encontram olhares, expressões, vulnerabilidades e diferentes identidades. Cada rosto parece ocupar o seu próprio espaço, mas, quando observado em conjunto, passa a integrar uma narrativa maior.
A presença expressiva das obras e do público na galeria reforçou a dimensão de um projeto que coloca um jovem artista indonésio diante de uma responsabilidade ambiciosa: preservar através da arte aquilo que o tempo inevitavelmente transforma.

Rajata Hakim, uma estrela de talento nascida na Indonésia
Rajata Hakim é um artista multidisciplinar indonésio baseado em Jakarta. A sua formação possui uma dimensão internacional.
Depois de estudar na Tanglin Trust School, em Singapura, frequentou durante um ano Fine Arts na University of British Columbia, no Canadá, onde integrou a Dean’s List. Atualmente prossegue os seus estudos na BINUS University, na Indonésia.
A sua produção combina pintura e escrita. O artista trabalha os arquivos como recipientes de memória, procurando reconstruir aquilo que desapareceu e preservar momentos passageiros de alegria, intimidade e vulnerabilidade.
Como Artist-in-Residence da Tulisan, Rajata vem desenvolvendo uma abordagem centrada na construção empática de histórias pessoais e coletivas.
É uma trajetória que merece atenção. A Indonésia, país de extraordinária diversidade cultural e artística, encontra neste jovem criador mais um exemplo de uma geração que procura dialogar com o mundo sem abandonar as questões relacionadas com a sua própria identidade.
Entre o pincel e o basquetebol
Há ainda uma característica singular no percurso de Rajata Hakim: a arte não é a sua única experiência de representação.
O jovem também representou a Indonésia no basquetebol e recebeu vários prémios de MVP.
À primeira vista, uma quadra de basquetebol e um atelier de pintura podem parecer universos distantes. No percurso de Rajata, porém, encontram-se através da disciplina, concentração, persistência e capacidade de observação.
A disciplina adquirida no desporto encontra a intuição criativa do artista. Essa combinação contribui para construir uma personalidade artística marcada simultaneamente pela ambição e pela sensibilidade perante as experiências humanas.
“Tu, eu e eles”
O conceito apresentado pela exposição pode ser resumido numa ideia particularmente poderosa: “Isto é sobre ti, sobre mim e sobre eles.”
Primeiro nasce uma pergunta dentro de nós. Depois observamos outras pessoas para compreendermos melhor a nós próprios. Finalmente, reconstruímos as nossas memórias coletivas e juntamos diferentes histórias numa narrativa comum.
É neste território que TERLIHAT / TERASA encontra a sua identidade.
Não se trata simplesmente de uma exposição de retratos. É uma tentativa de colocar diferentes vidas frente a frente e perguntar o que permanece de cada pessoa na memória dos outros.
Um jovem artista a acompanhar
Ver uma sala de galeria preenchida pelas obras de um jovem criador e observar o público diante dos seus retratos transmite uma mensagem importante sobre o futuro das artes na Indonésia.
Rajata Hakim é um talento jovem que merece ser acompanhado.
O seu percurso ainda está em construção, mas já revela elementos fundamentais para uma carreira artística consistente: formação, disciplina, curiosidade intelectual, experiência internacional e, sobretudo, vontade de compreender o ser humano através da criação.
Jakarta continua a revelar artistas capazes de levar a criatividade indonésia para além das suas fronteiras. Rajata surge nesse cenário como uma jovem promessa das artes visuais, transformando desenho, pintura, memória e identidade numa linguagem própria.
A exposição TERLIHAT / TERASA permanece aberta ao público até 27 de setembro de 2026, das 11h00 às 18h00, na ARTsphere Gallery Jakarta, Darmawangsa Square.
Mais do que descobrir os retratos de Rajata Hakim, visitar a exposição é encontrar um jovem indonésio que decidiu fazer dos rostos, das lembranças e das experiências humanas a matéria-prima da sua arte.
Editado e reportado por Antonio Garcia
Jakarta, Indonésia
