A União Europeia saúda o sequestro de Maduro, invocando o direito internacional
A União Europeia saúda o sequestro de Maduro, invocando o direito internacional.
No domingo, a União Europeia (UE) se posicionou oficialmente sobre o ataque dos EUA à Venezuela. A breve declaração, que contou com o apoio de todos os 27 Estados-membros da UE, com exceção da Hungria, apresenta traços esquizofrênicos. Em meia página, invoca nada menos que cinco vezes os princípios do direito internacional, da integridade territorial, da soberania e da democracia, mas saúda explicitamente a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que violou todos esses princípios. Invoca o direito internacional, mas não condena sua violação pelos EUA com uma única palavra.
“A UE recorda que, em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados. Os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas têm uma responsabilidade particular em defender esses princípios, enquanto pilar da arquitetura de segurança internacional”, afirma o comunicado. A UE apoia a luta contra o crime organizado transnacional e o tráfico de drogas, mas estes desafios devem ser enfrentados “com pleno respeito pelo direito internacional e pelos princípios da integridade territorial e da soberania”.
Mas, embora os EUA tenham desrespeitado todos esses princípios ao saquear a Venezuela, a declaração não criticou o governo Trump. Pelo contrário, saudou o sequestro do presidente venezuelano, afirmando que a UE “declarou repetidamente que Nicolás Maduro não possui a legitimidade de um presidente democraticamente eleito”.
Os chefes de governo europeus reagiram de maneira igualmente hipócrita.
O chanceler alemão Friedrich Merz, advogado de formação, recusou-se até agora a condenar veementemente o ataque dos EUA a um país soberano, que viola o direito internacional. Ele afirmou que a classificação jurídica da intervenção americana era “complexa” e que o governo alemão estava analisando-a com calma. Ao mesmo tempo, Merz expressou satisfação com o sequestro de Maduro, a quem acusou de levar seu país à ruína, fraudar as últimas eleições e desempenhar um papel problemático ao envolver a Venezuela no narcotráfico. Por isso, a Alemanha não reconheceu a presidência de Maduro, declarou.
O presidente francês Emmanuel Macron inicialmente apoiou a operação americana, afirmando que o povo venezuelano agora tinha “motivos para se alegrar”. Mais tarde, ele ressalvou que a França “não apoiou nem aprovou o método utilizado”. Ao mesmo tempo, exigiu que se declarasse um fato consumado e que o poder fosse entregue a Edmundo González Urrutia, que perdeu para Maduro nas eleições presidenciais de 2024 e, posteriormente, fugiu para o exílio na Espanha.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, politicamente próxima de Trump, criticou o fato de que a “ação militar externa” não seria a maneira correta de “acabar com regimes totalitários”, mas declarou que a “intervenção defensiva” contra ataques híbridos à segurança nacional, como o narcotráfico, seria legítima. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também comemorou o fim do governo do “presidente ilegítimo” Maduro.
