Governo incapaz de resolver a crise de transportes urbanos na capital do país
Governo incapaz de resolver a crise de transportes urbanos na capital do país
Entrada de mais 200 autocarros da TCUL contrasta com elevada taxa de imobilização da frota e limitações estruturais persistentes
Luanda — O Governo anunciou a entrada em funcionamento de mais 200 novos autocarros da empresa de Transportes Urbanos de Luanda (TCUL), numa tentativa de mitigar a crise crónica de mobilidade que afeta diariamente milhões de cidadãos na capital do país.
O anúncio foi feito pelo presidente do Conselho de Administração da TCUL, que destacou o reforço da frota como parte dos esforços do Executivo para melhorar o transporte público urbano. Nos últimos cinco anos, segundo dados oficiais, o Governo adquiriu cerca de 2.300 novos autocarros para diferentes províncias.
Contudo, números recentes do setor indicam que apenas cerca de 40 por cento dessa frota se encontra efetivamente em operação. Os restantes veículos estão avariados, imobilizados ou fora de serviço, revelando fragilidades profundas na gestão, manutenção e planeamento do sistema de transportes públicos.
Especialistas e operadores do setor apontam múltiplos fatores para a baixa taxa de funcionamento: manutenção insuficiente ou irregular, incapacidade financeira das empresas operadoras, inexistência de infraestruturas adequadas como faixas exclusivas e corredores dedicados, além das más condições das estradas.
Estas limitações contribuem para a rápida degradação dos veículos, reduzindo a vida útil média dos autocarros de cerca de cinco anos para aproximadamente três. Como consequência, estima-se que perto de 60 por cento da frota nacional esteja atualmente parada.
O impacto é particularmente severo em Luanda, onde mais de mil autocarros foram adquiridos nos últimos anos, mas uma parte significativa encontra-se fora de circulação. Em várias rotas, apenas metade das viagens diárias previstas chega a ser realizada, agravando tempos de espera e a superlotação dos veículos em serviço.
A situação foi recentemente agravada por episódios de vandalização e tumultos, que provocaram danos materiais, interrupções temporárias do serviço e pressão adicional sobre empresas públicas e privadas do setor dos transportes.
Apesar do reforço anunciado, analistas defendem que a entrada de novos autocarros, por si só, não resolve a crise estrutural da mobilidade urbana. Sem investimentos consistentes em manutenção, gestão eficiente, infraestruturas rodoviárias e corredores dedicados, a sustentabilidade do sistema continuará comprometida.
O Governo reafirma, entretanto, a intenção de avançar com soluções estruturantes. Entre os projetos em estudo e implementação está o metro de superfície, apresentado como uma peça-chave para reorganizar e diversificar a oferta de transporte coletivo nos próximos anos.
Enquanto essas soluções não saem do papel, milhões de utentes continuam a enfrentar diariamente longas filas, atrasos constantes e condições precárias de transporte, num cenário que evidencia a dificuldade do Executivo em responder de forma eficaz à crise dos transportes urbanos na capital do país.
