Manuel Homem: a polémica promoção a oficial general que ignora a carreira militar formal em nome da sucessão de 2027.
nvestigação & Defesa
Por: Antonio Garcia (Diretor-Chefe)
A integridade das Forças Armadas Angolanas (FAA) está sob ataque direto por via de manobras políticas que visam subverter a hierarquia militar para fins de sucessão partidária. O caso que agora emerge envolve a pressão de uma ala do MPLA para promover Manuel Homem ao grau de Brigadeiro, um salto que ignora a carreira militar formal e atropela as leis de patentemento vigentes na República.
A Ascensão Forçada: Mérito Militar ou Estratégia de 2027?
Segundo informações veiculadas pelo Club-K, a proposta de elevar Manuel Homem a oficial general visa reforçar o seu perfil político e alinhá-lo com a preferência do Presidente João Lourenço por quadros de formação militar, tendo em vista as eleições gerais de 2027.
Os proponentes tentam justificar esta promoção excepcional alegando uma “equivalência funcional” devido à sua passagem anterior pelos serviços de inteligência e segurança do Estado. No entanto, este argumento é visto por especialistas como uma falácia jurídica:
Percurso Civil: Manuel Homem seguiu um percurso estritamente civil após a sua saída dos serviços de inteligência, o que torna a sua progressão a Brigadeiro uma violação institucional.
Resistência Interna: Setores militares e institucionais já manifestam forte resistência, questionando a viabilidade legal de tal promoção sem o cumprimento dos requisitos de carreira.
A Constituição Atropelada e o Caos nas Assinaturas
Este “patenteamento de conveniência” não ocorre isolado. Paralelamente, circula no seio do MPLA um comunicado anónimo que denuncia graves irregularidades na recolha de assinaturas de apoio político.
Pressão sobre Militantes: Relatos indicam que militantes estão a ser coagidos a assinar fichas de apoio sem a identificação clara do beneficiário.
Prática Ilegal: Esta manobra é considerada “ilegal e inaceitável”, revelando um aparelho de Estado e de partido disposto a forçar candidaturas à margem da ética democrática.
Conclusão: As FAA Não São Instrumento de Sucessão
Utilizar as Forças Armadas como laboratório de imagem para candidatos civis é um desrespeito à memória dos oficiais que dedicaram décadas à farda e ao país. Se a promoção de Manuel Homem se concretizar, a mensagem enviada será clara: em Angola, as leis e a Constituição são meras sugestões perante a vontade de quem detém o poder.
O Makamavulo News continuará a acompanhar este processo, interrogando a legalidade destes atos. O silêncio da hierarquia militar e da PGR perante estas denúncias apenas confirma a “miopia seletiva” que protege os eleitos do sistema.
Angola precisa de se rever: a pátria não se vende por uma patente.
