Como se estruturará o foco de liderança de Graciete Sungua entre a gestão empresarial e a condução política da OMA?
Como se estruturará o foco de liderança de Graciete Sungua entre a gestão empresarial e a condução política da OMA?
A candidatura de Graciete Sungua ao cargo de secretária-geral da Organização da Mulher Angolana (OMA), formalizada esta semana, relançou o debate em Angola sobre a concentração de funções políticas, empresariais e partidárias num momento em que a principal organização feminina ligada ao poder enfrenta pressões por renovação e maior autonomia.
Actual chefe do Departamento de Reservatórios da Direção de Engenharia e Projectos da estatal petrolífera Sonangol, Graciete Sungua acumula responsabilidades num sector estratégico da economia, ao mesmo tempo que integra o Comité Central do MPLA, partido no poder desde a independência, coordena a Comissão de Disciplina e Auditoria da OMA e mantém um mandato parlamentar suspenso.
A OMA, braço feminino do MPLA, enfrenta desafios relacionados com a mobilização das bases, a modernização das suas estruturas e a redefinição do seu papel numa sociedade cada vez mais urbana e jovem. Neste contexto, observadores questionam até que ponto dirigentes com agendas profissionais densas conseguem assegurar uma liderança próxima e permanentemente activa.
Com mais de duas décadas de militância na organização, Graciete Sungua apresenta-se como uma candidatura de continuidade, sustentada num percurso interno marcado pela disciplina e pelo conhecimento da máquina partidária. Sectores da sociedade civil, no entanto, defendem que o momento exige maior abertura e independência das organizações femininas em relação ao partido no poder.
Para além da actividade política e empresarial, a candidata mantém uma intervenção social, com iniciativas nas áreas da educação e da protecção de menores, nomeadamente através de associações cívicas e instituições de acolhimento em Luanda e noutras províncias.
Formada em Engenharia de Petróleos e Reservatórios, com mestrado obtido nos Estados Unidos, Graciete Sungua encontra-se também a concluir uma formação em Finanças e Negócios. Ao longo da sua carreira, participou em projectos ligados à produção de petróleo e gás, incluindo desenvolvimentos offshore operados por parceiros internacionais.
A corrida à secretaria-geral da OMA decorre num contexto mais amplo de debate em Angola sobre renovação das lideranças, concentração de poder e o papel das organizações ligadas ao partido governante na promoção da participação feminina e da coesão social.
