Angola sobe para 32 pontos no Índice de Percepção da Corrupção 2025
recente divulgação do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025, da Transparência Internacional, coloca Angola entre os países que registaram melhorias, com uma pontuação de 32 pontos. À primeira vista, o dado pode ser apresentado como sinal de progresso. Porém, a questão central não é apenas subir alguns pontos no ranking, mas sim saber se as mudanças são reais, estruturais e sentidas pela população.
Durante décadas, a corrupção foi um dos principais entraves ao desenvolvimento do país. Enraizada nas instituições, normalizada na administração pública e associada a redes de poder político e económico, ela contribuiu para o enfraquecimento do Estado, o aumento das desigualdades e a perda de confiança dos cidadãos.
O facto de Angola ter saído do grupo inferior do ranking para uma posição intermédia deve ser visto com prudência. O índice mede percepções, e não necessariamente transformações profundas e irreversíveis. Em outras palavras, a melhoria na pontuação pode refletir expectativas e sinais políticos, mas não garante que o sistema tenha sido efetivamente limpo das práticas corruptas que marcaram o passado recente.
Ainda persistem desafios evidentes:
fraca independência das instituições de fiscalização;
morosidade na justiça e falta de condenações em casos de grande corrupção;
persistência do clientelismo político;
dificuldades no acesso à informação pública e transparência na gestão do Estado.
Para muitos cidadãos, a corrupção continua a ser uma realidade quotidiana, seja no acesso a serviços públicos, em concursos, licenças ou oportunidades económicas. Enquanto essa percepção não mudar na vida real, qualquer melhoria em rankings internacionais terá impacto limitado na confiança popular.
O combate à corrupção não pode ser tratado como uma campanha política ou instrumento de imagem externa. Precisa de se tornar uma política de Estado, sustentada por instituições independentes, justiça célere e uma cultura de responsabilização que atinja todos os níveis de poder, sem seletividade.
Angola tem agora uma oportunidade: transformar a melhoria no índice em reformas reais, profundas e irreversíveis. Caso contrário, a subida no ranking poderá revelar-se apenas um episódio passageiro, incapaz de alterar as bases estruturais do problema.
Mais do que pontuações, o verdadeiro teste será a capacidade do país em construir instituições fortes, transparentes e confiáveis. Só assim o combate à corrupção deixará de ser promessa e passará a ser realidade.
