Ex-presidente da Assembleia sente-se “humilhada” e recusa continuar como deputada
Ex-presidente da Assembleia sente-se “humilhada” e recusa continuar como deputada
A antiga Presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, solicitou formalmente a suspensão do seu mandato de deputada, numa decisão que volta a agitar os bastidores do poder legislativo e a expor fissuras internas ainda mal cicatrizadas no Parlamento angolano.
Informações apuradas pelo Mídia News Grupos indicam que Carolina Cerqueira endereçou uma carta ao actual Presidente da Assembleia Nacional, manifestando o entendimento de que, após ter sido afastada do cargo máximo do Parlamento antes do termo do mandato, não considera eticamente aceitável manter-se em funções parlamentares, ainda que na condição de simples deputada.
Fontes próximas do processo revelam que a ex-presidente se sente profundamente humilhada com a forma como ocorreu o seu afastamento, optando agora por um gesto político que vários observadores interpretam como um protesto silencioso contra a condução interna do processo sucessório.
A eventual saída de Carolina Cerqueira abriu imediatamente debate em torno da ocupação da vaga parlamentar, surgindo o nome de Luzia Inglês, antiga Secretária-Geral da OMA, como primeira na lista de procedência.
No entanto, a possibilidade tem provocado desconforto visível entre alguns deputados e quadros históricos do partido no poder.
Um dirigente sénior, ouvido pelo Mídia News Grupos sob condição de anonimato, levantou reservas quanto à capacidade funcional da eventual substituta, alegando limitações de visão e audição que, no seu entender, podem comprometer o exercício pleno das funções parlamentares.
O episódio demonstra que o afastamento de Carolina Cerqueira está longe de ser um capítulo encerrado e confirma que, no Parlamento, as feridas políticas permanecem abertas, alimentando tensões internas e questionamentos sobre a gestão do poder legislativo.
Porque, quando o silêncio fala, o poder treme.
